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Estudo de Caso do Rei Davi
(Nível Sete de Violência Passiva)

Davi foi um homem segundo o coração de Deus (1 Sm 13.14) e serviu o propósito de Deus em sua geração (At 13.36).  Ele é um grande herói e inspiração para todos nós. 

Ao mesmo tempo, Davi tinha seus lados fracos.  O maior deles geralmente passa despercebido.  Sua maior falha não foi o adultério com Bate-Seba, nem o assassinato de Urias, seu marido.  Sabe o que foi?

Davi falhou terrivelmente ____________________.1

  1. Com sua filha Tamar, depois do estupro dela.  Ela foi acolhida e cuidada por seu irmão, Absalão, não pelo seu pai (2 Sm 13.20-22). 

  2. Com seu filho Amnom depois de ele estuprar a sua meia-irmã, Tamar.  Davi “ficou indignado” com Amnom, mas não fez nada.  Nada!  (2 Sm 13.21)

  3. Com seu filho Absalão que matou o Amnom.  Outros sabiam do ódio do Absalão e seus planos de matar Amnom, mas Davi ignorou ou ficou ignorante quanto a isso até que era tarde demais.  Davi chorou muito; “pranteava por seu filho todos os dias” (2Sm 13.36-37), mas novamente, não fez nada.  Absalão acabou voltando após um período de exílio e conspirando contra Davi.  Davi fugiu.  Absalão teve relações com as concubinas que Davi deixou no palácio, fazendo isso de forma pública para que todo o país soubesse que assim Absalão se tornaria repugnante para Davi.  Quando finalmente Absalão morre, Davi se perde em sua dor, luto, choro e gritos.  Joabe teve que confronta-lo de forma dura, dizendo “Amas os que te odeiam e odeias os que te amam”.  Só assim conseguiu tirar Davi de seu desequilíbrio emocional, que fez o exército sentir-se perdedores ao invés de vencedores (2 Sm 18.33-19.8).

  4. Com seu filho Adonias que quis declarar-se rei, de forma rebelde, quando Davi estava velho, doente e próxima à morte. O historiador diz que “seu pai [Davi] nunca o havia contrariado; nunca lhe perguntava: ‘Por que você age assim?’”  (1 Re 1.6).

  5. Com seu filho Salomão que Davi declara seu sucessor.  À luz da rebelião do Adonias, Davi chama Bate-Seba e jura para ela que Salomão será seu sucessor.  Depois chama o sacerdote Zadoque, o profeta Natã e Benaia, responsável pelos guardas do palácio, instruindo-os em que fazer.  Então eles “fizeram Salomão montar a mula do rei Davi” e o levavam para ser coroado.  Nisso tudo, Salomão não é companheiro de seu pai, não tem voz, não é incluído nos planos e decisões.  Ele parece ser apenas um objeto colocado no lugar certo para cumprir os propósitos do Davi (1 Re 1.28-40). 

Por que Davi foi um fracasso tão grande como pai?  Como que um adorador, um rei, um guerreiro, um herói, um homem segundo o coração de Deus poderia ser tão maravilhoso nas áreas públicas e até em sua vida espiritual, e ainda assim falhar tão terrivelmente com seus filhos?  Será que tem explicação?

Uma possibilidade é que Davi teve uma raiz de ferida paterna que nunca resolveu.  A não ser que tomemos medidas contrárias conscientes, acabamos reproduzindo em nossa família o padrão que recebemos de nossos pais.  Lembra quando Samuel pediu o Jessé chamar todos os seus filhos?  Jessé obedeceu e apresentou cada um de seus sete filhos como aquele que seria ungido como futuro rei.  Quando terminou de ver os sete, Samuel teve que perguntar “Estes são todos os filhos que você tem?”.  Jessé falou que tinha mais o caçula, mas que ele estava ocupado com cuidar das ovelhas.  Samuel teve que insistir em chamar ao Davi.  Parece que na hora de reunir a família, na hora de receber uma visita de honra, na hora de decisões importante, no que dependia de Jessé, não incluía o Davi (1Sm16.1-13).  Davi tinha mais o papel de empregado do que de filho. 

Não dá para saber se os problemas relacionais do filho mais velho, Eliabe, com Davi surgiram deste momento ou vinham de longa época.  Quando Jessé o manda levar comida para seus irmãos no exército, Eliabe ataca Davi verbalmente com raiva, menosprezando-o e julgando tanto o seu comportamento como o seu coração (1 Sm 17.28). 

Existe uma boa possibilidade de que Davi teve uma ferida paterna e falta de modelo de pai.  Claramente alguém pode ser grande homem de Deus, mas falhar como pai.  Precisamos levar a sério resolver nosso passado para não repetir o padrão de feridas paternas e família disfuncional. 

Na relação de Davi com seus filhos, enxergamos claramente dois níveis de saúde.  Ele agiu com supercompensação (nível seis) quanto a suas emoções exageradas e atitudes que as acompanhassem.  Em sete capítulos que relatam a relação do Davi com seus filhos, não temos nenhum relatório dele ser proativo em interagir com eles (2 Sm 13-19; 2 Sm 1).  As histórias detalhadas neste sentido mostram Davi sempre reagindo com tremenda dor, tristeza e choro, já tarde demais.  Sua passividade permitiu que um ambiente de violência (nível 7) crescesse ao seu redor, atingindo em cheio sua filha, filhos, concubinas e todo o povo de Israel.  Davi não foi violento de forma agressiva com seus filhos, mas sua passividade gerou um ambiente de violência que ele não contornou.

Saul, José, Davi -- três histórias de grandes líderes com períodos ou fases de saúde doentia.  Pense um pouco.  Você se identifica de alguma forma com um deles?  O Saul que começou bem, mas nunca resolveu seu sentido de inferioridade e sentiu-se sempre ameaçado por outros?  O José que se achou resolvido e curado, mas acabou reproduzindo uma profunda raiz de rejeição devido a suas experiências doloridas do passado?  O José no segundo momento de aprender a expressar suas emoções e trazer reconciliação e liberdade para seus irmãos?  O Davi que falhou como pai, possivelmente sofrendo de uma ferida paterna, com tristes conseqüências de sua passividade para com os seus filhos? 

Reflita de forma escrita sobre o que Deus está falando para você ou o que chama sua atenção de forma pessoal, para depois compartilhar com seu trio.

Volte para a página introdutória sobre os nove níveis de saúde ou veja a próxima parte do estudo: Os Níveis Normais de Saúde Emocional (Quatro a Seis).

1 Como pai.