Existem três
momentos na vida de um filho de Deus: o da derrota, da vitória
e de sofrimento e fraqueza. O da derrota e descrito no final
de Romanos 7 e o da vitória em Romanos 8. Poucas pessoas
entendem que Romanos 8.17-34 descrevem o terceiro momento.
Por não entender que existe este terceiro momento,
acabam achando-se derrotados quando não estão
vivendo na plena vitória do início de Romanos
8.
À luz disso, deixe o Espírito Santo ministrar
para você pela tradução de Eugene Peterson
(The Message) de Romanos 8.22-29:
“Em tudo ao nosso redor observamos uma criação
grávida. Os tempos difíceis de dor no mundo
inteiro são simples dores de parto. Mas não
estão apenas ao nosso redor, também estão
dentro de nós. O Espírito de Deus está
acordando-nos por dentro. Também sentimos as dores
de parto. Estes corpos doentes e esgotados almejam libertação
total. Por isso o aguardar não nos diminui, igual como
o tempo de espera não diminui uma mãe grávida.
Somos engrandecidos na espera. Nós, claro, não
enxergamos o que nos engrandece. Mas o mais que aguardamos,
o maior que nos tornamos e o mais alegre que se torna nosso
suspenso.
Ao mesmo tempo, o momento que nos cansamos em esperar, o Espírito
de Deus está a nosso lado nos ajudando. Se não
sabemos como ou o que orar, não importa. Ele ora dentro
de nós e para nós, tornando nossos suspiros
sem palavras e gemidos angustiantes em orações.
Ele nos conhece bem melhor que nos conhecemos a nós
mesmos, entende nossa condição grávida
e nos mantém perante Deus. Por isso podemos ser tão
confiantes que cada detalhe em nossas vidas de amor por Deus
está sendo trabalhado para algo bom.
Deus soube o que fazia desde o ponto de partida inicial. Ele
decidiu deste o começo formar as vidas dos que o amam
na mesma linha que a vida de seu Filho. O Filho se ergue como
primeiro na linha da humanidade que ele restaurou. Vemos a
forma original e prevista de nossas vidas nele."
No início deste ano, Deus me falou que 2005 seria o
ano de aguardar nele. Eu reclamei que já fiz isso,
começando desde fevereiro, 2004, quando Débora,
minha esposa, foi morar nos EUA para acompanhar Karis no aguardo
de um transplante intestinal. Ele me falou que não
aguardei biblicamente e queria me ensinar o que era isso.
Está me mostrando quatro características de
aguardar ou esperar biblicamente, baseado em Romanos 8.22-29.
Primeiro, precisamos reconhecer que estamos grávidas,
precisamos enxergar o que foi concebido, o que Deus depositou,
o que ele claramente começou antes do momento de sofrimento
e fraqueza. Vejo, por exemplo, que Deus depositou na Karis
a característica de ser uma pessoa ponte: entre América
Latina e América do Norte; entre evangélicos
e católicos, estudando na Notre Dame, a melhor universidade
católica dos EUA; entre extrovertidos e introvertidos
(ela é extrovertida, mas a maior parte de sua vida
teve que ser introvertida por falta de saúde e força);
entre os Pentecostais que acreditam que Deus sempre cura e
não enxergam uma teologia de sofrimento e nossos irmãos
mais históricos que tem dificuldade em ver que Deus
cura hoje. Ver o que Deus depositou nela me permite aguardar
biblicamente que ele complete a boa obra que começou!
Segundo, precisamos reconhecer o que Deus está
formando em nós – algo bem além
do que foi depositado ou concebido inicialmente. Karis foi
para Notre Dame estudar no ramo da medicina, querendo ser
uma pediatra missionária na África. Aprendeu
francês ao ponto de fazer seu tempo devocional em francês.
Mas depois de um ano, a Deã pediu que ela mudasse de
especialização por falta de força física,
pelas constantes internações e por terminar
cada semestre com matérias incompletas. O ramo da medicina
era rigoroso demais para ela. Então ela pesquisou as
130 outras especializações da universidade,
mas não encontrou nada que correspondesse a ela. Pediu
para criar sua própria especialização.
Cinco pessoas na história de Notre Dame fizeram isso.
Hoje, depois de defender sua tese diante de um painel de professores,
a especialização dela é composta por
uma combinação de relações internacionais,
paz e reconciliação, e jornalismo. Ela está
aprendendo a língua árabe porque sente que os
maiores problemas mundiais em sua geração estão
relacionados ao povo muçulmano. Deus manteve o que
depositou nela, e o reformulou através desse período
de aguardar nele.
Em terceiro lugar, reconhecer que Deus está
formando A NÓS – geralmente através
de dor ou sofrimento. Uma cena no filme “A Volta do
Rei” de J.R. Tolkien, a última na Série
“O Senhor dos Anéis” mostra os fragmentos
da espada que ganhou a batalha contra o Maligno em outra época.
Eles são guardados num lugar bonito e sagrado dentro
de um vidro sobre uma almofada aveludada. A próxima
cena mostra a espada completa, brilhando em vermelho pelo
calor do fogo e sendo temperada através de dois grandes
homens que a martelam com toda sua força. Quem conhece
o processo sabe que depois a espada é mergulhada em
água gelada antes de ser colocada de novo na fornalha
e martelada para temperá-la de novo – repetidas
vezes. Mas uma vez forjada, se torna uma arma terrível
nas mãos do Rei. Aguardar biblicamente quer dizer saber
que Karis está sendo forjada. O sofrimento atual dela
não se compara com a glória que será
revelada. Pode ser que essa glória inclua o fato dela
ganhar a habilidade de sofrer para Jesus em outras circunstâncias
futuras.
Em quarto e último lugar, precisamos visualizar
o resultado do que Deus está fazendo, enxergando
o dia de “nascimento”, não conhecendo os
detalhes do que nascerá, mas tendo uma visão
crescente. Nossos olhos espirituais podem ver que Jesus está
sendo formado em Karis e ela está se tornando mais
e mais como ele. Ele é a mostra de nosso futuro se
permitimos que ele cumpra seus propósitos através
dos tempos de sofrimento e fraqueza.
Que Deus nos libere de uma teologia que apenas vê vitória
ou derrota. Que nos libere de nossa tendência de fugir
do sofrimento, não percebendo que ele tem propósitos
eternos para cumprir nele. Que abra nossos olhos para uma
visão de que ele nos chama a aguardar biblicamente
nele. Isso não significa aguardar passivamente, meramente
jogar tudo sobre ele e “descansar”. A maioria
das pessoas passa por sofrimento sem ganhar os seus frutos.
O povo de Deus que sofreu no deserto por 40 anos após
a saída de Egito ganhou novos olhos e novas habilidades.
Entrou no deserto com a mentalidade de dependência,
medo e escravidão. Saiu como guerreiro que sabia depender
de Deus e fazia todos os povos de Canaã tremerem. Seu
chamado de conquistar a terra prometida, não mudou;
mas eles mudaram! Aprenderam as lições de aguardar
biblicamente, crescendo nas quatro características
acima. Que essas verdades possam crescer em cada um de nós,
nos tornando guerreiros que revelam o caráter e glória
do Rei.
Perguntas para reflexão (individual e em grupo
pequeno)
-
Com qual dos três momentos na vida cristã
você mais se identifica hoje?
-
Em qual área de sua vida Deus lhe chama a aguardar
biblicamente?
-
Nesse contexto, reflita sobre as quatro características
de aguardar biblicamente. Para começar, com o que você
está “gravida”?