Quando me pediram para
escrever sobre Paulo e o ministério pastoral em homenagem
ao pr. Irland Azevedo, optei por focalizar o assunto mentoreamento. Andando com esse patriarca nestes últimos
anos, percebo quão envolvido ele está com o tema.
Ora às voltas com o pastoreio de pastores, com sua paixão
por capacitar novos pastores ou por ajudar no crescimento de
outros mais experientes, ora escrevendo ou ensinando sobre o
assunto.
Não raro podemos ver Irland encorajar um líder
ou pastor a prosseguir em seu chamado. Por isso, espero poder
homenageá-lo de forma especial ao focar o assunto.
Barnabé como mentor de Paulo
Para entender claramente
como Paulo mentoreava, precisamos saber como ele próprio
foi mentoreado.
Em Atos 22.3, Paulo afirma: “Sou judeu, nascido em Tarso
da Cilícia, mas criado nesta cidade [Jerusalém].
Fui instruído rigorosamente por Gamaliel na lei de nossos
antepassados, sendo tão zeloso por Deus quanto qualquer
de vocês hoje” (grifo do autor).
Essa afirmação sugere que Paulo foi para Jerusalém
tão-logo atingiu idade suficiente para ser instruído
pelo rabi mais honrado e famoso do primeiro século, o
qual possivelmente foi neto de Hillel.
Como o próprio Hillel, tradicionalmente alistado entre
os “cabeças das escolas”, Gamaliel possuía
uma visão equilibrada. Sua sabedoria singular e seu discernimento
se destacaram ao proteger os apóstolos do Sinédrio,
que desejava matá-los (At 5.33-40).
Nesse momento, Deus separou outro mentor para Paulo. Seu nome
era José, mais conhecido no entanto pelo apelido de Barnabé.
Para compreender a formação que Paulo obteve com
Barnabé, precisamos conhecê-lo melhor.
No século II, Clemente de Alexandria escreveu sobre Barnabé
mencionando que ele integrara o grupo dos 72. Vejamos a descrição
do ministério desse grupo para chegar a um entendimento
melhor sobre esse mentor:
Depois disso o Senhor designou outros setenta e dois e os enviou
dois a dois, adiante dele, a todas as cidades e lugares para
onde ele estava prestes a ir. E lhes disse: “A colheita
é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto,
peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para
a sua colheita. Vão! Eu os estou enviando como cordeiros
entre lobos. Não levem bolsa, nem saco de viagem, nem
sandálias; e não saúdem ninguém
pelo caminho. Quando entrarem numa casa, digam primeiro: Paz
a esta casa. Se houver ali um homem de paz, a paz de vocês
repousará sobre ele; se não, ela voltará
para vocês. Fiquem naquela casa, e comam e bebam o que
lhes derem, pois o trabalhador merece o seu salário.
Não fiquem mudando de casa em casa. Quando entrarem numa
cidade e forem bem recebidos, comam o que for posto diante de
vocês. Curem os doentes que ali houver e digam-lhes: O
Reino de Deus está próximo de vocês. Mas
quando entrarem numa cidade e não forem bem recebidos,
saiam por suas ruas e digam: Até o pó da sua cidade,
que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vocês.
Fiquem certos disto: o Reino de Deus está próximo.
Eu lhes digo: Naquele dia haverá mais tolerância
para Sodoma do que para aquela cidade”. [...]
Aquele que lhes dá ouvidos, está me dando
ouvidos; aquele que os rejeita, está me rejeitando; mas
aquele que me rejeita, está rejeitando aquele que me
enviou (Lc 10.1-12, 16).
Muitas são as
características que poderíamos destacar do mentor
idôneo:
-
Trabalho em equipe: mandados
dois a dois (v. 1).
-
Visão: enxerga a colheita e a necessidade de levantar
obreiros (v. 2).
-
Oração: coloca-se diante de Deus antes de iniciar
o ministério (v. 2).
-
Coragem: vai em frente, sem receio, mesmo ciente de que será
como ovelha entre lobos e que haverá batalha (v. 3).
-
Fé e estilo de vida simples: não se preocupa
com dinheiro, bagagem e outros recursos, mas permanece na dependência
de Deus (v. 4).
-
Pessoa de paz: estende e reconhece a paz (shalom), a harmonia
(v. 5).
-
Pessoa que se relaciona: estabelece-se numa casa, numa família,
finca raízes. Não apenas parece boa, mas é
de fato boa e íntegra (v. 5-7).
-
Pessoa do Reino de Deus: é submissa ao Rei e por isso
tem autoridade (v. 9, 11).
-
Discernimento: percebe quem compartilha o mesmo espírito
(v. 6).
-
Humildade suficiente para receber: consegue depender de outros
com graça (v. 7, 8).
-
Capaz de lidar com conflitos: fala a verdade quando necessário
e enfrenta a rejeição sem levar para o lado pessoal
(v. 10-12, 16).
Essas se constituem em
algumas das qualidades que de fato caracterizaram Barnabé,
como mentor idôneo que foi. O livro de Atos corrobora
essa idéia, como podemos perceber claramente :
José, um levita
de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé,
que significa “encorajador”, vendeu um campo que
possuía, trouxe o dinheiro e o colocou aos pés
dos apóstolos (4.36, 37).
Barnabé é
caracterizado não apenas como um estudioso da Bíblia,
mas com experiência transcultural e muito amado entre
os apóstolos. Um homem de coragem contagiante (encorajador),
comprometido com o Reino, desprendido das coisas materiais,
generoso, confiante nos apóstolos e, com maior simplicidade,
a eles submisso. A fé, o compromisso e a integridade
de Barnabé contrastaram frontalmente com Ananias e Safira,
cujas ações também são narradas
no livro de Atos.
As ações de Barnabé voltam a destacar-se
logo após a conversão de Paulo :
Quando [Paulo] chegou
a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos,
mas todos estavam com medo dele, não acreditando que
fosse realmente um discípulo. Então Barnabé
o levou aos apóstolos e lhes contou como, no caminho,
Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia
pregado corajosamente em nome de Jesus. Assim, Saulo ficou com
eles, e andava com liberdade em Jerusalém, pregando corajosamente
em nome do Senhor (At 9.26-28).
Como se pode ver do texto,
Barnabé demonstra possuir discernimento espiritual. Vê
o que ninguém mais foi capaz, nem mesmo os apóstolos.
Tinha coragem. Superou o medo e constatou que Paulo realmente
nascera de novo.
A coragem de Barnabé é mais uma vez evidenciada
ao se tornar patrocinador ou advogado de Paulo, arriscando a
vida em tornar-se conhecido de Paulo e arriscando sua amizade
com os apóstolos ao levar Paulo até eles. Seu
testemunho e a confiança que os apóstolos depositavam
em Barnabé permitiram que Paulo fosse aceito pela igreja
e andasse com liberdade em Jerusalém, ministrando dentro
e fora da igreja.
Cerca de treze anos mais tarde, a igreja em Antioquia se expande
grandemente. Os apóstolos, preocupados com as notícias
de que gentios se convertiam, mandaram alguém de absoluta
confiança e com experiência transcultural para
cuidar da igreja. E esse era Barnabé.
Notícias deste
fato (de gentios se converterem) chegaram aos ouvidos da igreja
em Jerusalém, e eles enviaram Barnabé a Antioquia.
Este, ali chegando e vendo a graça de Deus, ficou alegre
e os animou a permanecerem fiéis ao Senhor, de todo o
coração. Ele era um homem bom, cheio do Espírito
Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao
Senhor. Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo
e, quando o encontrou, levou-o para Antioquia. Assim, durante
um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja
e ensinaram a muitos. Em Antioquia, os discípulos foram
pela primeira vez chamados cristãos (At 11.22-26).
Esse texto de Atos nos
fornece uma descrição objetiva e clara de Barnabé.
Entre suas muitas qualidades, mais uma vez destaca-se o discernimento
espiritual. Primeiro na habilidade de “ver” a graça
de Deus (v. 23) e, mais tarde, em perceber que a igreja de Antioquia
precisava de um líder como aquele que ainda permanecia
esquecido e quase desconhecido na igreja primitiva: Saulo.
Nos treze anos que se passaram desde os fatos descritos em Atos
9 até os mencionados em Atos 11, não há
nenhum relato de que Paulo tenha estabelecido um ministério
significativo. Os historiadores da igreja não se referem
a nenhuma igreja, em Tarso, fundada por Paulo.
Aparentemente o apóstolo permanecia inativo quando Barnabé
o chamou para se juntar a ele na igreja de Antioquia. O teor
dos versículos mencionados indica que não foi
fácil encontrá-lo. Mais uma vez, alguém
acreditou em Paulo, quando ninguém mais acreditava.
Depois de um ano, durante o qual Barnabé agiu como mentor
de Paulo em Antioquia, uma reunião da liderança
daquela igreja mudaria a história da Igreja de Jesus
Cristo:
Na igreja de Antioquia
havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado
Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora
criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. Enquanto adoravam o
Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: “Separem-me
Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado”.
Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos
e os enviaram (At 13.1-3).
Nestes versículos,
como nas passagens anteriores (11.26, 30; 12.25), Barnabé
é alistado antes de Saulo, indicando a liderança
e importância dele. Seria natural que ele fosse o primeiro
entre os iguais na equipe de liderança da igreja de Antioquia.
Se a ordem de menção nesse primeiro versículo
indica deferência, talvez Saulo não passasse do
calouro da equipe.
Essa ordem se mantém até o início da viagem
(At 13.7), quando ocorre uma surpreendente mudança. Ao
saírem de Pafos, Lucas relata que “Paulo e seus
companheiros navegaram para Perge, na Panfília. João
os deixou ali e voltou para Jerusalém” (13.13),
o que demonstra claramente que Barnabé deixara de o líder
da equipe.
Tudo indica que Barnabé, tendo percebido que Paulo estava
pronto para assumir a liderança, passou-a para ele. Talvez
João Marcos tenha abandonado a equipe por não
se sentir pronto para apoiar Paulo, querendo permanecer numa
equipe liderada por Barnabé, seu parente.
Daí em diante, o nome de Paulo passa a figurar sozinho
ou antes de Barnabé (13.42, 43, 46, 50; 14.1, 3), com
uma exceção. Em Listra, Paulo curou um homem aleijado
desde o nascimento. Diante disso a multidão clamava que
os deuses haviam descido até eles em forma humana. Então,
chamaram Barnabé de Zeus e Paulo, de Hermes, “porque
era ele quem trazia a palavra” (14.12). Paulo e Barnabé,
ao ouvirem a multidão, “rasgaram as roupas e correram
para o meio da multidão, gritando e protestando que não
eram deuses” (14.14).
Pela designação feita de Paulo e Barnabé,
parece que a multidão via Barnabé como a autoridade
maior, a cobertura espiritual de Paulo, por isso Barnabé foi chamado de Zeus, que era considerado o rei dos deuses, e
Paulo, Hermes, porque este era o mensageiro, o porta-voz de
Zeus.
Nesse momento crítico, se a ordem de menção
dos nomes de fato é significativa, como muitos crêem,
Barnabé teria assumido a liderança temporariamente.
No entanto, assim que a questão foi resolvida, o nome
de Paulo volta a figurar antes do nome de Barnabé (14.20,
23).
Paulo e Barnabé voltam para Antioquia, onde Barnabé
naturalmente seria recebido como o primeiro, o “pastor
titular”, como saíra. No entanto, mais uma vez
Atos 15.2 deixa claro que Paulo vem primeiro no contexto dessa
igreja. Aparentemente, Barnabé conseguira transmitir
aos crentes de Antioquia, e eles aceitaram, seu apoio à
liderança de Paulo.
A igreja de Antioquia, então, os envia como representantes
no concílio de Jerusalém. No início do
concílio, Barnabé é mencionado antes de
Paulo (15.12). Para a igreja de Jerusalém, e especialmente
para os apóstolos, Barnabé naturalmente seria
o primeiro, o amado, o homem de sua confiança.
Entretanto, no final do concílio, mais uma vez o nome
de Paulo precede o de Barnabé (15.22, 25) e assim permanece
na volta a Antioquia (15.35). A exemplo do ocorrera com a igreja
de Antioquia, provavelmente Barnabé transmitira à
igreja de Jerusalém o mesmo conceito, e fora aceito.
Agora como líder, Paulo naturalmente toma a iniciativa
de promover uma segunda viagem missionária. Barnabé
propõe levar João Marcos, mas Paulo discorda de
forma inegociável. Esse desentendimento entre Paulo e
Barnabé resulta na separação destes (15.36-41).
A partir daí, o livro de Atos deixa de mencionar o nome
de Barnabé.
Talvez Barnabé tenha visto algo em João Marcos
que os demais não viram, nem mesmo o apóstolo
Paulo. É como se assistíssemos ao mesmo filme
de anos atrás, quando ninguém acreditava em Paulo,
nem os apóstolos de Jerusalém. Barnabé
arriscara tudo para elevar a pessoa de Paulo, desacreditada,
mas em quem ele discernia um potencial que outros não
podiam ver. E, aparentemente, fez o mesmo com João Marcos.
No entanto, com o passo do tempo, descobrimos nas epístolas
de Paulo que Marcos se tornou companheiro dele: “Aristarco,
meu companheiro de prisão, envia-lhes saudações,
bem como Marcos, primo de Barnabé. Vocês receberam
instruções a respeito de Marcos, e se ele for
visitá-los, recebam-no” (Cl 4.10, grifo do autor).
Paulo não só recebera Marcos como envia cartas
de recomendação de seu, agora, companheiro. Mais
adiante, Paulo se refere a Marcos como um de seus “cooperadores”
(Fm 1.24). Mas o toque de ouro está nas últimas
palavras de Paulo, já ciente de que sua vida findara
(observe os verbos no passado): “Combati o bom combate,
terminei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4.7, grifo
do autor). Sabendo que está com os dias contados e seu
ministério acabado, ele escreve para Timóteo:
Procure vir logo ao meu
encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi
para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia,
e Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está
comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é
útil para o ministério (2 Tm 4.9-11).
Quando seu tempo se esgotava,
quando se sentiu abandonado e quando possivelmente se deixava
abater pelo desânimo, Paulo queria ter duas pessoas a
seu lado: Timóteo, seu amado filho, e Marcos, “porque
ele me é útil para o ministério”.
Quando Paulo já não divisava nenhum ministério
para si, viu em Marcos alguém em quem depositar o que
ainda tinha a dar, para que o ministério não morresse
quando sua vida findasse.
O mais interessante nessa história não está
em Paulo ter aceitado Marcos de volta, como companheiro de sua
equipe, mas o fato de este ter aceitado Paulo como líder.
A Bíblia não relata, mas imagino que a fonte disso
tenha sido Barnabé. Paulo rejeitara Marcos no passado
porque este o abandonara em plena viagem (At 15.38).
Depois desse conflito sem precedentes na igreja primitiva, Marcos
deve ter ficado duplamente magoado com Paulo: por ter sido rejeitado
tão veementemente e por saber que, por sua causa, a rejeição
também acabara estendendo-se a Barnabé. Curar
ou restaurar um coração ferido não é
nada fácil (v. Pv 18.19). Aparentemente Barnabé
trabalhou a alma de Marcos de tal forma que lhe devolveu o respeito
e a apreciação por Paulo.
Barnabé depositou o espírito de reconciliação
dentro do Marcos. Isso se manifesta mais uma vez em ele ser
não apenas muito querido do Paulo, mas também
do Pedro. Às vezes Pedro e Paulo tinham dificuldades
de relacionamento ou entendimento (veja Ga 2.11-14; 2 Pe 3.16),
mas Marcos chegou a ser não apenas uma das poucas pessoas
que Paulo queria a seu lado no final de sua vida, mas também
o filho espiritual de Pedro (1 Pe 5.13). E como resultado disso,
Marcos escreveu o primeiro evangelho, expressando em grande
parte a perspectiva de Pedro que nunca escreveu um evangelho,
mas em certo sentido, através de Marcos, escreveu sim.
Barnabé teve a graça de não apenas elevar
Paulo à categoria de líder, mas de apoiá-lo
e mantê-lo como tal, enfrentando a oposição,
possivelmente até de João Marcos, da multidão
em Listra, da igreja de Antioquia após a primeira viagem
missionária, a dos apóstolos e da igreja de Jerusalém.
Foi um mentor incomum, alguém que abriu caminho para
que o próprio Paulo entendesse como mentorear outros.
Sem Barnabé, talvez não tivesse existido o ministério
de Paulo, suas cartas, o ministério de Marcos e seu evangelho
e os evangelhos sinópticos de Mateus e Lucas como os
conhecemos hoje, já que se basearam no evangelho de Marcos,
escrito antes. Barnabé fica, para mim, como o melhor
modelo de mentor na Bíblia, depois de Jesus. Uma das
provas disso é na forma que seu mentoreado, o Paulo,
se multiplica em relacionamentos de mentoria.
Que muitos de nós possamos também ser filhos de
Barnabé!
Paulo como mentor de Timóteo
Paulo mentoreou muitas
pessoas, no entanto foi com Timóteo que esse trabalho
sem dúvida destacou-se mais claramente. A imagem de mentor
transparece em 1 e 2 Timóteo, em especial no início
de 2Timóteo. Experimente numerar, nos versículos
citados a seguir, cada palavra, frase ou conceito que você
considere expressão típica de um mentor:
Paulo, apóstolo
de Cristo Jesus pela vontade de Deus, segundo a promessa da
vida que está em Cristo Jesus, a Timóteo, meu
amado filho: Graça, misericórdia e paz da parte
de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.
Dou graças a Deus, a quem sirvo com a consciência
limpa, como o serviram os meus antepassados, ao lembrar-me constantemente
de você, noite e dia, em minhas orações.
Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito vê-lo,
para que a minha alegria seja completa. Recordo-me da sua fé
não fingida, que primeiro habitou em sua avó Lóide
e em sua mãe, Eunice, e estou convencido de que também
habita em você. Por essa razão, torno a lembrar-lhe
que mantenha viva a chama do dom de Deus que está em
você mediante a imposição das minhas mãos.
Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas
de poder, de amor e de equilíbrio.
Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor,
nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os
meus sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus [...].
Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã
doutrina que você ouviu de mim. Quanto ao que lhe foi
confiado, guarde-o por meio do Espírito Santo que habita
em nós. Você sabe que todos os da província
da Ásia me abandonaram, inclusive Fígelo e Hermógenes[...].
Portanto, você, meu filho, fortifique-se na graça
que há em Cristo Jesus. E as palavras que me ouviu dizer
na presença de muitas testemunhas, confie-as a homens
fiéis que sejam também capazes de ensinar outros (2 Tm 1.1-8, 13-15; 2.1-2).
Vejo que o mentor, como
também o pai espiritual, o líder pastoral ou o
discipulador será bem-aventurado se reunir as qualidades
de Paulo descritas nessas passagens. Vejamos brevemente algumas
delas:
-
Relacionamento paternal
e familiar: Paulo trata Timóteo, repetidas vezes, como
filho (1Tm 1.2, 18 e 2Tm 1.2; 2.1). Hoje, parece que carecemos
tanto de pais espirituais como de filhos. A desestruturação
e o desajuste familiar na atual geração é
terrível. Precisamos muito de pessoas que saibam gerar
filhos espirituais.
-
Amor: Vale a pena destacar como Paulo se referia a Timóteo:
“meu amado filho” (v. 2). Palavras semelhantes foram
ditas pelo Pai após o batismo de Jesus: “Este é
o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mt 3.17). As Escrituras
trazem mais oito frases similares com referência a Jesus,
o que mostra quão fundamental isso foi para a vida e
a identidade de Cristo (v. Is 42.1; Mt 12.18, 17.5; Mc 1.11,
9.7; Lc 3.22, 9.35 e 2Pe 1.17). Quantos líderes e pastores
não estão convictos de que são realmente
amados, aceitos pelo Pai celeste ou por um mentor ou pai espiritual
aqui na terra.
-
Intercessão: a ligação profunda entre
Paulo e Timóteo transparecia no relacionamento de Paulo
com Deus. O apóstolo lembrava-se de Timóteo constantemente,
dia e noite (v. 3). Que privilégio contar com um mentor
intercessor!
-
Intimidade: Timóteo tinha liberdade de chorar com Paulo,
e este não se envergonhava disso (v. 4). Na verdade o
próprio Paulo também sabia ser transparente e
compartilhar emoções profundas que também
o levavam às lágrimas. Dirigindo-se aos anciãos
de Éfeso, a igreja que mais tarde Timóteo supervisionaria,
Paulo afirmou que serviu “ao Senhor com toda a humildade
e com lágrimas” (At 20.19); instou-os a cuidarem
de si mesmos e a vigiarem, lembrando-lhes “que durante
três anos jamais [cessara] de advertir cada um [deles]
disso, noite e dia, com lágrimas” (At 20.31). Não
devemos nos surpreender de que nessa despedida “todos
choraram muito, e, abraçando-o, o beijavam” (At
20.37). O verdadeiro mentor não só deixa seu coração
transparecer, a ponto das lágrimas fazerem parte de sua
vida e de seu ministério comum, como encoraja seus seguidores
a fazerem o mesmo.
-
Saudade e alegria (v. 4): Paulo, afinal, possuía um
lado afetivo e sabia expressá-lo. Desenvolveu uma ligação
afetiva com seu mentoreado. Alegrava-se com seu mentoreado e
realmente buscava oportunidades de compartilhamento (veja 2Tm
4.9). Mais uma vez a alegria de Paulo reflete a alegria do Pai
no Filho quando diz: “Este é o meu Filho amado,
em quem me agrado” (grifo do autor).
-
Reafirmação do que é bom (v. 5): Paulo
citava qualidades de Timóteo e das boas experiências
que compartilharam. Não insistia sempre em que seu mentoreado
precisava melhorar, mas comunicava um profundo sentimento de
aceitação.
-
Exortação (v. 6): Paulo não só
reafirmava claramente seu amor, sua aceitação
e alegria, mas também sabia como desafiar seu mentoreado
para o crescimento.
-
Ministração: mais que uma vez Paulo impõe
as mãos sobre Timóteo (v. 6) e, em oração,
vê o Espírito Santo agir de forma sobrenatural
na vida deste (v. 1Tm 4.14). O poder e a graça de Deus
fluíam de Paulo para Timóteo.
-
Discernimento das necessidades do mentoreado: Paulo sabia
que Timóteo sofria dificuldades por causa da timidez
ou do medo, por isso ministrava-lhe diretamente a respeito (v.
7) com palavras que encorajaram milhares de outros Timóteos
através dos anos.
-
Desejo de manter o mentoreado junto a si: Timóteo foi
chamado a participar da vida de Paulo e a segui-lo de perto
(2Tm 3.10,11, 4.9), até em seus sofrimentos (2Tm 1.8).
Paulo não escondia de Timóteo a realidade nem
o fato de que a vida cristã apresentava desafios e dificuldades.
Também não o deixou enfrentá-los sozinho.
O mentor se parece ao Paracletos, que se aproxima de nós
e nos chama para junto de si.
-
Exemplo (v. 13): Paulo mostrou a Timóteo como ensinar
e viver (2Tm 3.10,11), não como um ser perfeito, mas
como alguém que permanecia em constante crescimento rumo
à perfeição (Fp 3.11-14).
-
Reafirmação do chamado do mentoreado: Paulo
lembrou Timóteo de manter viva a chama do dom de Deus
que estava nele (v. 6) e ainda estimulou-o a guardar o que lhe
foi confiado ou depositado (v. 14).
-
Compartilhamento de dificuldades: o mentor não se vale
de máscaras para levar o mentoreado a crer que tudo está
sempre bem (v. 15). Em vez disso, compartilha suas dores, suas
decepções e sua solidão (2Tm 4.9-16).
-
Discipulado: o estilo de ensino de Paulo, ao contrário
do professor, não se baseia em conteúdo e em programas,
mas no que flui do coração de um pai para um filho
espiritual (2 Tm 1,2; 2.1,2). Paulo repassa vida, a sua e a
de Cristo, demonstrando as verdades que queria que Timóteo
aprendesse através de como vivia e como se relacionava
com ele (2 Tm 2.3-17).
-
Orientação do mentoreado no pensamento estratégico:
Paulo desafia Timóteo a reproduzir o que recebeu dele.
Mais que isso. Desafia-o a multiplicar-se através de
escolher as pessoas certas para que estas, por sua vez, ensinem
a outros o que receberam (2 Tm 2.2).
Qualidades do
mentoreado
É muito comum
as pessoas procurarem um mentor como Barnabé e Paulo
e se decepcionarem quando ele não corresponde a tudo
o que elas buscavam. Não raro, tais pessoas não
compreendem que, assim como o mentor, o mentoreado também
deve apresentar algumas qualificações para a função.
Vejamos uma passagem que nos ajude a ver essa relação
mais uma vez, mas agora focando algumas qualidades do mentoreado,
do seguidor:
Não estou tentando
envergonhá-los ao escrever estas coisas, mas procuro
adverti-los, como a meus filhos amados. Embora possam ter dez
mil tutores em Cristo, vocês não têm muitos
pais, pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho.
Portanto, suplico-lhes que sejam meus imitadores. Por esta razão
estou lhes enviando Timóteo, meu filho amado e fiel no
Senhor, o qual lhes trará à lembrança a
minha maneira de viver em Cristo Jesus, de acordo com o que
eu ensino por toda parte, em todas as igrejas. Alguns de vocês
se tornaram arrogantes, como se eu não fosse mais visitá-los (1Co 4.14-18).
Embora esta passagem
revele características de um pai espiritual ou mentor,
podemos ressaltar oito características de um filho espiritual
ou mentoreado:
-
Trata seu líder como pai espiritual (v. 15): demonstra
carinho, amor, respeito e agradecimento pela confiança
que o mentor ou líder depositou nele e pelo tempo investido.
Reconhece-o como mentor, e não apenas como um professor
ou mestre. O mentor ocupa um lugar especial na vida do mentoreado,
inclusive na área de autoridade espiritual. O mentoreado
procura entender o coração do mentor e alinhar-se
com ele, de modo a abençoá-lo em vez de constituir-se
em peso para o mentor (Hb 13.17).
-
Imita o líder (v. 16): julga-o um modelo a seguir,
um exemplo. O mentoreado, contudo, deve ter em mente que, por
sua humanidade, o mentor também pode apresentar falhas
ou certas características que contrariam o caráter
de Cristo propriamente dito. Seu discernimento o capacitará
a imitar o que é saudável, bom, procurando reproduzir
isso em sua vida.
-
Tem uma identidade espiritual firme e saudável: entende
que é um filho amado (v. 17) e que sua identidade de
filho é a base para tudo. Serve, mas não como
servo obrigado ou compulsivo e sim pelo transbordar de um coração
de filho agradecido. Não procura no pai espiritual sua
base de sentir-se bem.
-
É fiel (v. 17): ao Senhor e no Senhor para com o mentor.
O mentoreado não murmura com terceiros a respeito das
falhas do mentor ou dos problemas que possa ter de enfrentar.
A relação entre ambos tem de ser de mútua
transparência. O mentoreado é um escudeiro para
seu mentor, protegendo-o e até carregando, quando puder,
algo penoso para o líder.
-
Vive o que o mentor ensina sobre Jesus (v. 17): em certo sentido,
ao ser observado, o mentoreado deve corresponder ao ditado: “Tal Pai, tal filho.” As pessoas devem ser capazes
de conhecer o coração e a visão do mentor
pelo simples fato de conviver com o mentoreado.
-
Compreende os ensinos sob as atitudes do mentor (v. 17): não
se limita a imitar sem compreender. Segue o modelo do mentor
exatamente porque percebe o que motiva o comportamento dele.
Como os discípulos de Jesus, deve expressar suas dúvidas
ou o que lhe é incompreensível.
-
Não se envergonha de seu mentor (v. 14): talvez seu
mentor seja mais velho e não tenha concluído tantos
cursos como o mentoreado; é possível que seja
do sexo oposto, estrangeiro ou, como a maioria dos líderes,
alvo de muitas críticas. Independentemente das razões,
o mentoreado não deve se envergonhar do mentor, mas agradecer-lhe
e até orgulhar-se (no sentido positivo da palavra) pelo
fato dessa pessoa ser seu líder ou mentor.
-
Não é arrogante (v. 18): em outras palavras,
o mentoreado é humilde e ensinável e não
rejeita a correção. Deseja ouvir a avaliação
de sua vida e de seu ministério, de modo a poder crescer.
Creio que ser ensinável é a característica
mais importante de um discípulo ou mentoreado, pois se
precisar de aprimoramento ou correção em quaisquer
outras áreas, será possível trabalhá-las,
sem traumas.
À procura
de mentores e mentoreados
A relação
mentoreado/mentor é muito preciosa e não pode
ser tratada de modo superficial. Na verdade, esse relacionamento
é um dom divino, algo parecido ao que Jesus diz a seus
discípulos, seus mentoreados:
Já não
os chamo servos [hoje, possivelmente uma palavra semelhante
poderia ser “obreiros” ou “estudantes”],
porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez
disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de
meu Pai eu lhes tornei conhecido. Vocês não me
escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto
que permaneça (Jo 15.15, 16).
Ao referir-se a esta
passagem, C. S. Lewis afirma que não escolhemos nossos
amigos; Deus os escolhe para nós. Se, de um lado, essa
afirmação nos leva a descansar no Senhor quanto
a ele inserir e retirar pessoas de nossa vida, de outro haverá
situações em que teremos que tomar a iniciativa
e nos esforçar a favor de nosso mentor ou mentoreado.
É o caso da busca pela pessoa que será nosso cônjuge,
por exemplo. Embora essa relação seja uma dádiva
do céu, para que dê certo, é preciso entregar
nossa vida a ela!
Uma relação de mentor e mentoreado é algo
muito semelhante e precioso. O aprofundamento é um processo
longo, como ocorreu entre Jesus e os Doze. Foi necessário
um ano e meio desde o primeiro chamado em João 1 até que Jesus os separasse como os Doze (Mc 3.13-19; Lc 6.12-16).
Em certo sentido o crescimento gradativo dessa relação
pode ser comparado ao processo natural de amizade, namoro, noivado
e casamento. O ideal é que seja lento e flua sem artificialismos
e sem pressões.
Para muitos, encontrar a pessoa certa para atuar como mentor
(ou até para mentorear) é quase tão difícil
como encontrar alguém para se casar, especialmente quando
aquele que busca o mentor é também pastor. Mas
vejamos o que dizem as Escrituras: “... busquem, e encontrarão;
batam, e a porta lhes será aberta” (Mt 7.7).
O significado desses verbos, em grego, demonstra uma ação
continuada. Se não desistirmos, se realmente formos sérios
em nossa procura, Deus nos revelará o líder pastoral,
o discipulador ou o mentor que precisamos.
Ao buscar essa pessoa, recomendo os seguintes passos:
-
Liste três pessoas que poderiam ajudá-lo de
alguma forma nesse papel. Ainda que não se revelem as
ideais, escolha as três melhores opções,
pensando em pessoas cujas vidas já estão ligadas
de algum modo à sua ou é possível ligá-las.
-
Priorize as pessoas por meio da oração. Dirija-se
à primeira e peça-lhe que ore quanto a um encontro
inicial para conversarem sobre a possibilidade de ela vir a
ser seu mentor (discipulador ou líder pastoral).
-
Se a pessoa aceitar, e o encontro inicial for boa, faça
uma experiência de três a seis meses. Se o resultado
for positivo, glória a Deus! Se não, passe para
a segunda pessoa de sua lista e repita o processo.
A meu ver, a maior responsabilidade para o bom relacionamento
entre mentor e mentoreado cabe a este último. Normalmente,
o mentor possui muitas ocupações, cabendo, assim,
ao mentoreado fazer os ajustes necessários para se adaptar
à rotina do mentor. Ele deve ter a iniciativa de buscar
o mentor e assegurar que o relacionamento se desenvolva adequadamente.
Se você já tem um mentor ou líder pastoral,
eu o encorajo a meditar em Hebreus 13.17. Expresse-lhe o que
Deus lhe mostra nesse versículo.
Será mais produtivo se a relação entre
mentor e mentoreado não for apenas individual, de um
para um, mas dentro de um grupo ou equipe. Esse era o procedimento
de Jesus Cristo. Não há relatos de encontros individuais
com os discípulos, mas de encontros em grupo.
Paulo reafirma a Timóteo que o que este recebia “na
presença de muitas testemunhas” (2 Tm 2.2), pela
imposição de mãos, não provinha
apenas de Paulo, mas também dos presbíteros (1Tm
4.14). No livro de Atos, Paulo aparece quase sempre em grupo
ou em equipe. Algumas cartas de Paulo, como 1 e 2 Tessalonicenses,
por exemplo, trazem como remetentes “Paulo, Silvano e
Timóteo”.
Mentorear pessoas no contexto de uma equipe ou grupo, entre
outras vantagens, permite reunir a riqueza das múltiplas
perspectivas à interdependência (que é uma
proteção contra a dependência). Isso também
confere ao mentoreado mais oportunidade para dar, em vez de
apenas receber. Ademais, haverá outras pessoas envolvidas
que poderão ajudar a solucionar possíveis conflitos,
o que torna o mentor menos vulnerável à perda
de amizades, como facilmente ocorre quando o conflito é
gerado numa relação individual.
Encerrando, quero dizer que tenho sido muito abençoado
por meio do pr. Irland. Em sua paixão pelo mentoreamento,
ele demonstra um espírito ensinável que me surpreende.
Com a maior alegria entrega-se, como mentoreado, à orientação
de pastores de diferentes denominações ou até
mesmo de pastores bem mais jovens, ganhando e crescendo por
meio desses relacionamentos. Sem dúvida a habilidade
do pr. Irland de aprender de quase qualquer pessoa fornece-lhe
subsídios para que ele mesmo atue como mentor de quase
qualquer pessoa!
Obrigado, Irland, por mostrar o caminho para tantos de nós
que queremos ser como nosso Senhor Jesus Cristo mas sabemos
que sozinhos não lograremos êxito. Precisamos de
companheiros de jugo, do pastoreio de pastores, de aprendizagem
contínua, de mentoreamento. Enfim, de qualidades tão
evidentes em sua atuação que nos encorajam a absorvê-las
e praticá-las. Podemos colocar em prática o que
você nos ensina “na presença de muitas testemunhas”
e confiar isso “a homens fiéis que sejam também
capazes de ensinar outros”!
Bibliografia
AZEVEDO, Irland. De pastor para pastores: um testemunho
pessoal. Rio de Janeiro: JUERP, 2001.
HENDRICKS, Howard. Aprenda a mentorear. Belo Horizonte: Betânia,
1999, principalmente parte 2.
HOUSTON, James. E. Mentoria espiritual: o desafio de transformar
indivíduos em pessoas. São Paulo: Sepal, 2003.
KORNFIELD, David. As bases na formação de discipuladores.
São Paulo: Sepal, 1996. Na verdade, toda a literatura
na área de discipulado está muito relacionada
ao mentoreamento.
KORNFIELD, David. Equipes de ministério que mudam o mundo: oito
características de equipes de alto rendimento. São
Paulo: Sepal, 2002. Trata-se de uma ferramenta que ajuda o líder
e sua equipe a diagnosticar a saúde e o rendimento da
equipe visando a planejar estratégias de aperfeiçoamento.
Embora não esteja propriamente relacionado ao tema mentoreamento,
pode ajudar no desenvolvimento desse conceito em grupos pequenos
ou equipes.
Sites de consulta
na Internet
MAPI (Ministério de Apoio a Pastores e Igrejas): www.mapi-sepal.org.br
Mentorlink International: www.mentorlink.org.
TOPIC Brasil (Trainers of Pastors International Coalition ou
Aliança Internacional de Capacitadores de Pastores -
AICP): www.topicbrasil.org.
Se quiser, baixe este artigo como documento Word ou volte à página principal de ferramentas ou à página principal
de artigos.
[1] Este artigo foi escrito por David Kornfield como o capítulo cinco no livro editado por Lourenço Stélio Rega em homenagem ao Irland Azevedo: Paulo – Sua vida e sua presença ontem, hoje e para sempre, Vida, 2004.