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Palavra
profética para líderes que brilham
David Kornfield
Alguém me falou
recentemente sobre uma profecia que declarava que os pastores
do Brasil seriam muito provados durante os próximos
seis meses. Esse comentário surgiu no contexto de vermos
muitos pastores com seus casamentos em frangalhos; muitos
com conflitos sérios e destrutivos com outros pastores
ou dentro de seus lares ou igrejas; e muitos estressados,
agindo na carne e ferindo outras pessoas. Falei para meu amigo
pastor que a profecia possivelmente seja verdadeira, mas não
acho que este ciclo de provações se encerra
no final de seis meses! Os pastores hoje enfrentam mais problemas
do que nunca por virem de famílias disfuncionais; por
terem líderes feridos que também vêm de
famílias disfuncionais; e por serem confrontados constantemente
pelos gigantes espirituais desta época: individualismo,
hedonismo (a entrega ao prazer), materialismo e relativismo.
Além dessas batalhas, Deus me impressionou de forma
séria que nós que estamos à frente
do pastoreio de líderes, enfrentamos três gigantes
espirituais que lutam para nos derrubar. Se não
acordarmos para o fato de que necessitamos resisti-los no
poder do Espírito, perderemos nossa função
no Corpo de Cristo. “Vocês são o sal da
terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo?
Não servirá para nada, exceto para ser jogado
fora e pisado pelos homens” (Mt 5.13).
O primeiro gigante é a falta de integridade. Este problema é maior do que percebemos. Levantamos
uma bandeira grande e bonita quanto a como devemos viver.
Dizemos que pretendemos ser líderes referenciais, maravilhosos
em nossos relacionamentos, amando a Deus acima de tudo e ao
nosso próximo como a nós mesmos. Resumindo meu
artigo, “O Líder que Brilha”, há sete relacionamentos principais em que devemos brilhar:
-
Relação com Deus: Ai de
nós se falarmos sobre isso com outros e não
andarmos como verdadeiros amigos íntimos de Deus; se
não somos pessoas dedicadas à Palavra e à
oração; se nós nos deixamos ser levados
por outras vozes e outras tarefas (At 6.1-4); se não
ouvimos d’Ele constantemente; se não fazemos
apenas o que Ele faz (Jo 5.19, 20a).
-
Relação consigo mesmo: Ai
de nós se falarmos de saúde emocional e espiritual
mas não vivenciarmos isso em nossas próprias
vidas. Ai de nós se fazemos proezas em nome de Jesus,
se nossas igrejas crescem, se somos louvados pelos homens
nos lugares altos da cidade, se somos convidados para todo
e qualquer lugar como preletores, mas não amarmos realmente
(1 Co 13.1-3). No caso de não guardarmos um dia de
descanso, de não cuidarmos de nosso coração,
de não atentarmos para nossas próprias vidas,
de não cuidarmos de nossos corpos físico, nos
tornaremos pessoas cegas liderando outras cegas.
-
Relação com nossa família: Ai de nós se nossos cônjuges sentem peso por
estarem casados conosco. Uma esposa de pastor me falou a semana
passada, “Eu não queria ser esposa de pastor
porque via que quase todas elas eram reprimidas, abafadas
ou deprimidas. E agora me encontro exatamente no mesmo lugar.”
Outro pastor me contou que sua esposa estava voltando para
ele depois de um período de separação,
mas pediu primeiro um mês de luto já que a percepção
que ela tinha era de perder sua vida por voltar a ser casada
com ele. Ai de nós quando as pessoas dizem “Que
Deus tenha misericórdia de Fulana por ser casada com
o pastor... ou, que tenha misericórdia de seus filhos...”
-
Relação com um grupo pastoral: Ai de nós se não tivermos escudeiros que se
reúnem conosco semanal ou quinzenalmente, nos ajudando
com a prestação de contas e nos assessorando
nos problemas que enfrentamos (Ec 4.7-12). Não conheço
nada melhor do que as dez perguntas de prestação
de contas para estabelecer um cuidado preventivo contra os
maiores problemas que destroem os líderes. Pessoalmente,
eu não quero confiar minha vida, reputação
ou o ministério de Cristo para ninguém que não
tenha esse tipo de cobertura e acompanhamento.
-
Relação com uma equipe que brilha: Para o pastor,
essa é a equipe pastoral. São os líderes
principais aos quais dedicamos nossas vidas, como Jesus fez
com seus discípulos (Jo 17.19). Ai de nós quando
reproduzimos segundo nossa espécie e acabamos tendo
líderes sobrecarregados, estressados, sem tempo para
seu Deus e sua família. Ai de nós quando o ministério
se torna um ídolo e medimos nosso valor segundo nosso
ministério. Ai de nós também quando lideramos
sozinhos, não conseguindo equipar outros e torná-los
verdadeiros ministros e equipe conosco.
-
Relação com um líder pastoral ou mentor: Ai
de nós quando dizemos que os que nos seguem devem ter
um líder pastoral, quando nós mesmos não
o temos. Essa falta de integridade e autenticidade acaba com
nossa autoridade espiritual e nos deixa vulneráveis
a Satanás e a suas estratégias prediletas como
o orgulho (1 Tm 3.6). Como o centurião falou para Jesus,
ele era um homem debaixo de autoridade e por isso conseguia
liderar com autoridade e confiança. Ai de nós
se nos acomodarmos e não tivermos alguém que,
acreditando profundamente em nosso potencial, nos desafie
e insista que cresçamos para sermos mais parecidos
com Jesus e avançar de glória em glória
em nosso ministério.
-
Relação com amigos íntimos: Ai de nós
se nossos relacionamentos todos se resumem em ministério.
Precisamos desesperadamente de pessoas com as quais possamos
ser simplesmente gente, desfrutando da vida, sendo nós
mesmos sem a necessidade de nos preocupar com o que os outros
pensam. Ninguém é realmente íntegro,
verdadeiro e saudável se sua vida gira totalmente em
volta de ministério e trabalho, sentindo que precisa
ser sempre um exemplo para todo o mundo.
Á luz de tudo isso, o primeiro gigante que nós líderes pastorais enfrentamos é
não sermos íntegros: sermos hipócritas
e falsos. A integridade é importante para
todo crente, mas se torna ainda mais importante para nós
porque ensinamos a outros como devem viver (Tg 3.1, 2). Assim,
precisamos dedicar tempo aos relacionamentos descritos acima,
não só porque nos tornam excelentes, mas também
porque nos protegem de sermos falsos. Nos ajudam a descobrir
pequenas falsidades ou áreas que precisamos mudar para
que não acumulem e cresçam ao ponto de se tornarem
fortalezas e destruir nossas vidas e ministérios.
O segundo gigante que nos derrota é a sobrecarga. Quando estamos sobrecarregados as primeiras coisas que sofrem
são nosso relacionamento com Deus, conosco mesmo e
com nossa família. Se ficarmos cronicamente sobrecarregados,
que é o caso da maioria de nós, logo todos os
relacionamentos acima sofrerão. Pior ainda se ensinarmos
sobre a vida simples e cairmos na falta de integridade de
não viver assim. Sempre que aprendemos uma verdade
e não a vivemos, algo morre dentro de nós.
Pessoas sobrecarregadas se tornam pessoas estressadas e esgotadas.
Acabam não cumprindo sua palavra porque falam “sim”
a mais pessoas do que conseguem corresponder. As pessoas até
gostam de nós, mas não confiam mais em nossa
palavra. Pior ainda, o estresse e o cansaço nos levam
a agir na carne. O “velho homem”, “o velho
________” (coloque seu nome aqui), surge com força.
Fazemos coisas que machucam outras pessoas e nem percebemos.
Como Jeremias Pereira falou certa vez em relação
a At 20.28-30, todos nós temos um pouco de lobo dentro
de nós. Olhemos para os heróis da fé
na Bíblia. Dificilmente encontraremos um que não
tenha “pisado feio” na bola. O estresse nos leva
a fazer isso. Ai de nós se nem percebemos e achamos
que continuamos agindo em nome de Jesus nos momentos em que
fazemos mal aos outros.
Nossa sobrecarga crônica acaba se tornando uma fortaleza,
algo pecaminoso e errado sobre o qual criamos argumentos que
nos apoiam em nosso erro. Esta fortaleza é resultado
de falta de fé em Deus; de acreditar que nós
somos “salvadores da pátria” e não
Ele. E Deus não tolera que pessoas tomem o lugar d’Ele,
assumindo o papel d’Ele, recebendo a honra e a glória
que são apenas d’Ele. Esse foi o motivo principal
da exclusão de Moisés da terra prometida (Num
20.12). Será que não estamos nos achando melhores
do que ele, o maior profeta de todo o Antigo Testamento (Dt
34.10-12)?
Paulo, falando de fortalezas, diz que existe somente uma coisa
para ser feita com elas: Destruí-las (2 Co 10.4-6).
Não é para negociarmos, nem procurar aconselhamento
para saber como “tratá-las”, ou simplesmente
fazer alguns ajustes. Precisamos realmente destruir as raízes
que nos levam a tentar encontrar nossa identidade no ministério,
nós fazendo acreditar que somos muito mais servos do
que filhos. E a única forma de mudar nossa identidade
de servo para filho é através de uma profunda
crise. Se a crise está surgindo, abrace-a. Deixe Deus
cumprir tudo o que ele quer fazer quanto a destruição
de uma velha forma de agir e pensar para que nasça
uma nova identidade de verdadeiro filho de Deus.
O terceiro gigante é permitir que brechas surjam
sem serem tratadas; conflitos não resolvidos através
do tempo se tornam fortalezas. Duas vezes nos últimos
seis meses passei três dias inteiros ajudando pastores
a resolverem conflitos que se multiplicaram, envolvendo totalmente
outros pastores, às vezes os cônjuges, e suas
equipes. Nas duas vezes Deus agiu de forma sobrenatural com
quebrantamento, cura e reconciliação. Ao mesmo
tempo, houve conseqüências negativas impossíveis
de resgatar.
Ai de nós quando nos colocamos acima da correção.
O livro de Provérbios está cheio de advertências
quanto a não ser “ensinável”. Chama
tais pessoas de tolas.
Infelizmente, quando estamos estressados ou temos feridas
do passado quanto a rejeição, temos a tendência
de perceber a correção como rejeição.
Nos armamos. Nossos mecanismos de defesa se erguem automática
e inconscientemente. Achamos que não somos compreendidos,
apoiados ou amados e nos afastamos das pessoas que achamos
estarem interessadas apenas em nos criticar. Ou então,
com uma certa facilidade, explicamos para as pessoas que elas
erraram em suas perspectivas. Lhes respondemos apenas no nível
da mente. A dor no coração delas não
é resolvida; na verdade, aumenta. Ainda sentem que
nós temos problemas, mas agora sentem que não
estamos aberto a suas perspectivas. Nos acham fechados. Além
disso, podem passar a carregar o peso de sentirem-se erradas
em suas perspectivas. Não sabem a quem recorrer. Com
facilidade essa dor se torna contagiosa e pode ser a base
para saírem da igreja. Saindo, elas podem repetir essa
história triste em outra igreja, nunca curadas e nunca
encontrando um pastor que lhes ouça o coração.
Pior ainda é quando ficam na igreja e a dor gera sementes
de medo, raiva e amargura que crescem e contagiam a outras
pessoas. Muitas vezes isso está por trás de
divisões na igreja e de pastores serem forçados
a deixar suas igrejas.
Temos que levar muito a sério nossos conflitos. Acho
que foi Henri Nouwen que disse que nosso maior orientador
espiritual é a pessoa com a qual temos mais dificuldades.
Deus quer trabalhar em nossas vidas através dessas
pessoas. E Satanás quer nos destruir induzindo-nos
a protelar a solução desses conflitos e a não
levar a sério a advertência de Jesus de deixar
nossa oferta no altar se soubermos que alguém tem algo
contra nós e ir imediatamente cuidar de resolver nosso
problema com esta pessoa (Mt 5.23-26). A ira não é
um pecado; o que se torna pecado, brecha e até fortaleza
é quando deixamos o sol se pôr sobre nossa ira,
dando espaço para Satanás em nossas vidas e
em nossas igrejas (Ef 4.26, 27).
Recentemente escrevi um artigo “Mestres em Reconciliação
e Pedir Perdão”. Tiago, no contexto de falar
para mestres (líderes), diz que todos tropeçamos
de muitas maneiras (Tg 3.1, 2). Sendo assim, temos que ser
realmente especialistas em contornar isso, já que como
líderes nossos tropeços atingem um número
bem maior de pessoas e facilmente as atingem da pior forma.
Não podemos nos dar o luxo de permitir conflitos não
resolvidos em nosso meio. Fazer isso é convidar Satanás
a nos destruir.
Perguntas para reflexão:
-
Dê uma nota de 0 a 10 quanto à sua vitória
sobre cada um destes três gigantes. Qual gigante mais
lhe preocupa?
-
A quanto tempo esse gigante lhe aflige? Se for a muito
tempo, pode ser uma boa indicação de uma fortaleza.
Se for uma fortaleza, quais passos precisa tomar para a destruir?
-
Além de destruir a fortaleza, quais seriam uns passos
para garantir que esse gigante não volte com sete piores
do que ele, daqui a pouco?
-
Com quais pessoas você compartilhará estas
coisas para lhe ajudar? Se são coisas sérias,
sugiro que compartilhe com seu cônjuge, com seu grupo
pastoral de 2-3 pessoas que lhe acompanham regularmente e
com seu líder pastoral, possivelmente até procurando
aconselhamento. Precisamos ganhar todos os aliados possíveis
para vencer estes gigantes.
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