“Onde não
há visão, o povo perece” - Provérbios
29.18a (KJV).
Sonhar não é apenas um capricho; é o combustível que faz o carro andar, o alimento da alma. Sem o objetivo de realizar nossos sonhos, não temos razão para crescer, nem o que desfrutar da vida. Se não tivermos visão, morreremos.
Muitas coisas, porém, minam nossos sonhos ou nossa habilidade em lutar por eles! São barreiras que precisamos transpor. Se não o fizermos e desistirmos de nossos sonhos, deixaremos de experimentar a alegria do Senhor em nós e perderemos o alicerce de nossos chamados.
Vejamos algumas
barreiras:
-
Falta de foco: nossa vida se dispersa em tantas atividades que perdemos o foco da nossa visão. Não podemos dizer como Paulo “Uma coisa faço...” (Fp 3.13).
-
Cansaço e esgotamento: a correria nos deixa sem fôlego para curtir a vida, sem energia e tempo para sonhar. Não andamos no ritmo do Espírito, fazendo apenas o que vemos o Pai fazer (Jo 5.19).
-
Ausência de perspectiva divina: ouvimos tantas vozes ao nosso redor, de nosso passado e de nós mesmos, que perdemos a sabedoria e o poder de Deus; não separamos tempo para ouvi-Lo (Sl 46.10).
-
Decepção: invade-nos um sentimento de fracasso pelos sonhos que não deram certo.
-
Feridas emocionais sugam nossa energia e ficamos sem disposição para sonhar; desânimo e até depressão podem nos ameaçar; medo, ira e estresse nos amarram.
-
Dificuldades financeiras geram preocupações sérias; sem recursos, é difícil pensar além de certo tipo de sobrevivência.
-
Solidão: a falta de companheiros de sonhos, de pessoas que compartilham a mesma visão e que nos amam, aceitam e apóiam nos impede de criar algo novo; sozinhos, apenas reproduzimos aquilo que já somos.
-
Ausência de mentor: precisamos de alguém que acredite em nós e nos estimule, provoque e desafie para sermos mais do que somos, para irmos além do que imaginamos conseguir.
Deixe-me destacar as três maiores chaves para trazer nova visão e nova perspectiva em minha experiência. As três chaves começam a funcionar à medida que enfrentamos circunstâncias além de nossos recursos. Dificilmente pagaremos o preço para ganhá-las e usá-las, se não sentimos certo nível de desespero santo. Por isso tantas vezes falo da “bendita crise” que nos tira de onde nos acomodamos e nos leva a um novo desequilíbrio que abre a possibilidade de irmos além do que já conhecemos.
A primeira chave é uma nova e maior procura de Deus, de sua pessoa, perspectiva e poder. Não existe outra fonte maior de sabedoria, de discernimento, de enxergar o que outros não estão vendo do que o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Precisamos pedir que Ele nos ajude a articular o sonho que Ele tem para nós.1 E quando a visão começa a surgir, fica ainda mais claro que não somos feitos à medida dela. 2 Nosso sentimento de dependência de Deus, nosso desespero santo, nossa necessidade gritante de um novo derramar do Espírito, de voltar a experimentar de alguma forma Atos 1 e 2 crescem em nós. Nesse momento precisamos meditar nesses capítulos e em outras passagens parecidas, como também em livros como os de Watchman Nee, A Libertação do Espírito, ou de Jim Cymbala, Poder Renovado.
A segunda chave quanto a articular e entender os sonhos de Deus para nós passa pelo crivo de nossa equipe 3 – ou pela falta dela. Nossos sonhos ministeriais são testados e vivenciados em miniatura nessa equipe. São compartilhados num ambiente de amor e aceitação, onde a gravidez possa chegar ao termo final e dar à luz. Nesse contexto são aprofundados e refinados. Você ganha escudeiros e companheiros de sonhos.
De outra forma, sem uma equipe, nossos sonhos normalmente diminuem, facilmente se tornando apenas sombras do original, podendo ficar como simples desejos ou fantasias. Tornam-se secos, sem vida, porque não estamos vivendo-os. Antes da criação de minha equipe executiva do MAPI, Deus questionou-me (através de uma amiga): “Você tem entregado os seus sonhos para Deus sobre essa equipe? Se sua resposta for negativa, gostaria de fazê-lo neste momento?” Atendi ao chamado de Deus e entreguei-Lhe nossa equipe e sonhos. Depois, descobri que, na realidade, meus sonhos para nossa equipe ainda não estavam claros.
Comecei a perguntar “O que eu sonho para minha equipe de sonhos?” E tomei tempo para ouvir meu coração e o coração de Deus até ter dez respostas. Encorajo você a fazer o mesmo. E se fizer, encorajo você a pedir que os membros da sua equipe ou equipe-em-potencial também respondam à questão e compartilhem suas respostas em algum momento. É possível que nesse encontro vocês experimentem uma nova unção do Espírito e o nascimento de novos sonhos, como em Atos 2 e Atos 13.1, 2.
A terceira chave é um mentor especializado na área de nosso sonho e chamado. Essa pessoa não é fácil encontrar, mas como Howard Hendricks diz no seu livro clássico sobre mentoria, Como Ferro Afia Ferro, as barreiras e dificuldades são mais internas do que externas. Temos a tendência de ser cegos, ignorantes e inconscientemente arrogantes (veja Ap 3.14-22), quando achamos que não existe ninguém que poderia nos servir nesse sentido. Até articularmos nosso sonho e chamado, nem sabemos bem a quem procurar. Hendricks diz que, sem esse sério trabalho preparatório, nem merecemos um mentor.
Perguntas para reflexão:
-
Algumas das barreiras alistadas neste artigo minam seus sonhos? Quais passos você pode tomar para mudar esse quadro?
-
O que você pode fazer para articular melhor seu sonho?
-
De quais das três chaves você mais precisa hoje?
1 Para ver outras informações sobre sonhos no site, veja a seção sobre sonhos na página de ferramentas. Também sugerimos um retiro com Deus, como tempo para aplicar esses exercícios e artigos.
2 Veja o devocional de Oswald Chambers, Tudo para Ele, 6 de julho.
3 Veja o site do MAPI, na terceira estratégia principal sobre equipes pastorais. Veja também o livro de David Kornfield, O Líder que Brilha, que dedica seis capítulos à área de desenvolvimento de uma equipe.
Se quiser, volte à página principal de ferramentas ou à página principal de artigos. Você também pode abaixar este artigo como documento Word.