Ovelhas vestidas como
lobos são filhos verdadeiros de Deus, mas que agem
como lobos devido a suas feridas emocionais. Elas se encontram
em nossas igrejas com uma freqüência crescente,
e podem usar um mecanismo de defesa que os psicólogos
chamam de transferência. A transferência é
definida como “alguém do presente que é
experimentado como se fosse alguém do passado. As atitudes
e emoções, positivas ou negativas, que pertenciam
a uma relação anterior são transferidas
a uma nova pessoa no presente” (Baker Encyclopedia of
Psychology, Baker Book House, 1985: 1173).
Raízes
Ocorre, geralmente,
com quem teve uma relação problemática
com o pai ou a mãe e que encontra, no presente, alguém
que corresponde ao lado positivo, inicialmente, daquela pessoa
do passado. Destas pessoas, tendentes à transferência,
ouvimos expressões do tipo: “você é
o pai que eu não tive”. Nesse ponto, a transferência
ainda expressa um lado positivo, porém, está
fadada a tornar-se negativa quando o pensamento passa a ser:
“você é como meu pai”. Daí
em diante, no momento em que o objeto de transferência
não corresponder às expectativas e não
preencher as carências e vontades dessa pessoa, a mesma
começa a expressar: “você age como meu
pai e por isso o odeio”. Aqui se apresenta o grande
problema, pois a pessoa passa a investir na destruição
do seu objeto de transferência e, freqüentemente,
tem êxito nisso, partindo do pressuposto de que sua
inteligência é bastante desenvolvida.
Perigo
Uma pessoa em transferência
é um perigo para a igreja, visto que pode destruir
seu alvo e um grande número de pessoas que estiverem
em volta. Pastores e líderes, principalmente os mais
carinhosos, facilmente tornam-se objetos de transferência,
correndo o risco de uma destruição em massa.
Essa dinâmica pode ser a base para o pior tipo de batalha
espiritual, considerando que a pessoa que ataca sente que
age em nome de Deus e assume a responsabilidade de “proteger”
e influenciar o maior número de pessoas possível
contra o seu objeto de transferência.
Perfil
É possível
identificar alguém em transferência quando se
percebe nele os seguintes aspectos: tenha sofrido um trauma
emocional que levou a uma carência afetiva, através
da qual, quer sentir-se especial. Projeta situações
do passado no presente. Critica, expondo sentimentos contra
alguém. Orgulha-se de quem é, tornando-se cego,
não enxergando problemas em si mesmo. Sente ciúmes
quando se vê saindo do lugar de preferência de
outrem. Envolve-se em mentiras, engano e calúnias.
Demonstra raiva direta ou indiretamente. Mostra-se controlador,
dominador e manipulador. Solitário, por não
reconhecer os próprios problemas, não sendo,
assim, confiável nos relacionamentos. É conflitante
e faccioso. Vale-se da máscara de vítima. Idolatra
o ministério, a posição, o espaço
ou a tradição. Sofre repressão emocional
com ocasionais descargas. É carente de afirmação.
Resiste às correções, recebendo-as como
rejeição. Pode estar afligido por demônios.
Tratamento
O tratamento pode ser
aplicado partindo do princípio de que é um processo
a restauração, por isso, demorada.
Deve-se seguir
os passos:
-
Quebrantamento e arrependimento:
muito difícil de alcançar, pois quase ninguém
está disposto a reconhecer seus erros, lembrando que
o orgulho faz parte do perfil de alguém em transferência.
Ninguém é capaz de mudar esse coração,
só Deus;
-
Assumir responsabilidades: se for capaz de quebrantar-se,
deve assumir os erros e as responsabilidades;
-
Sofrimento: o retorno à saúde não
é fácil, exige consciência de que o sofrimento
é inevitável;
-
Submissão ao seu líder espiritual: é
complicado por causa do orgulho, porém, se não
houver essa submissão, ou a pessoa acaba saindo da
igreja, ou deve ser convidada a fazê-lo (isso é
uma sugestão para que não haja destruição
do restante da igreja. É para o bem comum. Observe
1 Coríntios 5:11-13);
-
Traçar limites objetivos: o que é necessário
fazer para que a situação mude? Por exemplo,
se o alvo da transferência faz parte do mesmo grupo
de apoio que a pessoa, um ou outro deve mudar de grupo;
-
Afastamento do objeto de transferência: o alvo deve
sair imediatamente e radicalmente do caminho dessa pessoa
e um mediador deve assumir o tratamento da mesma;
-
Tratamento emocional especializado: deve-se procurar a
ajuda de uma equipe REVER e/ou de um profissional.
-
Compromisso profundo com a verdade: por estar cercado pelo
engano, é preciso comprometer-se com a verdade, inclusive
sabendo que a mesma trará dor;
-
Exercício de escrever: expressar, através
da escrita, tudo o que está preso no interior: dor,
sentimentos;
-
Renúncia: trabalho de libertação,
renunciando espíritos malignos e fechando portões;
-
Reconhecimento dos próprios erros;
-
Discernimento de futuras transferências.
Prevenção
A igreja deve estar
orientada quanto a esse comportamento que é tão
prejudicial ao seu andamento. Para tal, é imprescindível
identificar líderes suscetíveis a serem objetos
de transferência; ensinar e orientar toda a liderança
da igreja sobre o assunto; preservar a unidade entre os líderes;
discernir a raiz dos conflitos, observando erros próprios
e de outrem; estar alerta quanto a facções (sem
tentar espiritualizá-las sempre); discernir batalha
espiritual e os mascarados de espirituais, e trabalhar o reconhecimento
da parte dos líderes de suas próprias fraquezas.
Perguntas de
Reflexão
-
Você ou um
líder de sua igreja já foram alvos desta dinâmica?
-
Quais passos a liderança da igreja deve tomar para
proteger-se desse mal?
-
O que Deus está falando ao seu coração
através deste artigo? O que você pretende fazer
baseado nisso?
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