Deixe-nos propor o que é uma equipe de aconselhamento: É uma equipe de pessoas chamadas, ungidas, treinadas e supervisionadas como para-profissionais, que apoiam e orientam outras pessoas, ajudando-as a encontrar soluções para os seus problemas.
Quais seriam alguns pré-requisitos para uma equipe de aconselhamento dar certo na igreja local? Um dos principais pré-requisitos é que a igreja dessa equipe seja saudável. Não adianta muito ajudar pessoas a tornarem-se mais saudáveis e depois devolvê-las para um ambiente com pouca saúde emocional. Larry Crabb ressalta isso em seu livro Conexão - O Poder Restaurador dos Relacionamentos Humanos: O Plano de Deus Visando a Cura Emocional, (Editora Mundo Cristão). Um psicólogo de renome no meio evangélico, ele diz:
“Hoje trabalho para que um dia o povo de Deus, espalhado em diversas comunidades, formado por cristãos comuns que se relacionam regularmente e convivem de perto, possam realizar boa parte da obra que hoje delegamos aos psicólogos. E o farão conectando-se uns aos outros, de uma maneira que só o evangelho permite. . .” (p. 12)
“O que significa conectar-se a outras pessoas de maneira tal que formem uma comunidade terapêutica? . . . Tenho fortes razões para suspeitar que os cristãos que participam fiel e comprometidamente em suas igrejas locais, para quem “ir à igreja” significa desenvolver uma variedade de atividades espirituais; têm em si recursos que, postos em ação, poderiam curar de modo miraculoso corações partidos, superar o dano causado por um passado de violência, incentivar os deprimidos a avançarem corajosa-mente, estimular os solitários a buscarem amigos, revitalizar com energia nova e santa crianças e adolescentes abatidos e infundir esperança na vida de inúmeras pessoas que se sentem rejeitadas, sozinhas e inúteis. Talvez ‘ir à igreja’, mais do que qualquer outra coisa, signifique relacionar-se com várias pessoas diferentemente. Talvez o objetivo principal da comunidade cristã seja conectar-se a algumas pessoas” (pp. 13-14).
“Minhas conclusões não são totalmente novas, porém mais incisivas. Quero expressá-las assim:
“A. Por trás daquilo que a nossa cultura chama de problema psicológico, existe uma alma clamando por algo que só a comunidade pode proporcionar. Não há apenas ‘problemas’ que exigem ‘tratamento’. Ao contrário do que o moralismo linha-dura prega, há mais envolvido em nossos conflitos do que uma vontade obstinada que precise de firme repreensão. Por trás de todos nossos problemas há almas desesperadamente feridas que precisam do alimento que só uma comunidade pode dar—caso contrário, morrerão.”
“B. Precisamos fazer algo além de treinar profissionais especializados em curar a psique. A psique danificada não é o verdadeiro problema. O problema que se esconde atrás de nossas lutas é a alma desconectada. Precisamos fazer algo mais do que simplesmente exortar as pessoas a fazerem o que é certo e depois cobrar obediência. Temos a tendência de enfatizar a responsabilidade individual e a prestação de contas quando não sabemos nos relacionar. A melhora do comportamento via exortação não é a solução, embora às vezes faça parte dela. Em vez de curar a mente ou repreender o pecador, precisamos nutrir a alma desconectada com um alimento que apenas uma comunidade de pessoas conectadas pode oferecer.”
“A crise do tratamento emocional na cultura moderna, especialmente na igreja ocidental, não será resolvida pelo treinamento de mais terapeutas. Não precisamos de um centro de aconselhamento em cada esquina. A situação só tende a piorar com os moralistas e seus esforços para impor os seus parâmetros de conduta - ainda que alguns deles sejam bíblicos - porém nunca entram profundamente nos corações das pessoas.”
“C. A maior necessidade da civilização moderna é o desenvolvimento de comunidades—comunidades verdadeiras, onde as pessoas encontram o coração de Deus e se sentem “em casa”, onde o humilde e o sábio aprendem a pastorear aqueles que vão chegando, onde os que se esforçam na luta podem confiantemente dar os braços uns aos outros e assim avançarem juntos” (pp. 17-18).
Baseado nesta leitura, escreva seus pensamentos, sentimentos ou uma oração.
Para nós, uma equipe de aconselhamento deve ser parte de dois contextos:
- Uma igreja comprometida com a visão de tornar-se sempre mais saudável, tendo uma visão e modelo claro de como fazer isso. Existem diversas organizões além do MAPI (Ministério de Apoio para Pastores e Igrejas) que podem ajudar nisto. Alguns incluem a Igrejas em Células, o Desenvolvimento Natural da Igreja, Willowcreek e a Rede Ministerial, a Igreja com Propósitos. Grupos pequenos pastorais que nutrem as pessoas são indispensáveis na visão de Crabb como também na nossa visão. No MAPI enxergamos isto através de três tipos de grupos pastorais: grupos familiares (células) para a maioria da igreja; grupos de discipulado para treinar líderes e grupos de apoio que viabilizam a saúde emocional dessas pessoas e, por conseguinte da comunidade.
- Um ministério de restauração que inclui:
- Grupos de apoio com um modelo claro que tem início, meio e fim, semelhante aos Doze Passos de Alcoólatras Anônimos;
- Dinâmicas espirituais de restauração através de ministério de oração, cura pela Palavra, autoridade espiritual, dons espirituais, libertação, experimentar Jesus e outras dinâmicas espirituais.
Com esta base, passemos para indicar as dicas quanto a como iniciar uma equipe de aconselhamento na igreja local. Se preferir, pode voltar à página inicial do ministério TEMA.